Por Remy da Mata
Hoje eu tive a sorte de presenciar o mais nobre ato do exercício de cidadania. Dona Inocência da Silva Uruçu, a matriarca da minha família, é minha segunda mãe.
Como é de praxe, levantou bem cedo, pegou sua bengala — que usa mais como prevenção do que como apoio — e foi até a nossa majestosa Igreja Matriz de São Raimundo Nonato. Como faz todos os dias, foi pedir proteção para o seu candidato, Flávio Bolsonaro. Em seguida, dirigiu-se à Câmara Municipal, onde vota. Pasmem: a pé! No alto do seu quase centenário, caminhou seis quadras, sendo admirada e aplaudida como uma celebridade hollywoodiana.

Empresária e pecuarista, no passado administrou loja de tecidos, empório de secos e molhados, farmácia e usina de arroz. Enveredou pela política partidária e foi eleita vereadora pela antiga ARENA (Aliança Renovadora Nacional), junto com o seu irmão Zé da Mata, meu pai. Inocência da Silva Uruçu foi a primeira mulher a ser eleita vereadora em Tuntum e a primeira mulher a ter o curso oficial de FARMÁCIA na região. É nacionalista, de convicção e de Direita. Dona Inó — ou Tia Inó, como é conhecida carinhosamente não só em Tuntum, mas em toda a Região dos Cocais — é um patrimônio vivo.
Em face do excelso instante que presenciei, lembrei-me das palavras de Bertolt Brecht. Em nome dele, afirmo: há mulheres que lutam um dia e são boas; há outras que lutam um ano e são melhores; há as que lutam muitos anos e são ótimas. Mas há as que lutam toda a vida, e estas são imprescindíveis. Dona Inocência é imprescindível! Imprescindível como mulher, mãe, avó, bisavó, cidadã, empresária e religiosa. Há muito ela anda fazendo o bem, construindo pontes e edificando plataformas destinadas ao progresso material, social e espiritual do próximo, provocando transformações positivas no universo ao seu redor.
Hoje, Dona Inó dedica sua vida à pregação e à fé, junto às suas amigas do Coração de Maria, rezando o terço e levando conforto espiritual aos necessitados — especialmente àqueles sem condições de se locomover. Onde a mão do governo falha na distribuição de medicamentos de uso contínuo, ela supre as necessidades às suas próprias expensas por meio de suas farmácias. E não apenas com remédios: estende a mão também com alimentos. Dona Inocência é um desses anjos corporificados a serviço de Deus aqui no coração do Maranhão, sem pedir nada em troca a não ser a satisfação íntima e a alegria de ter ajudado o seu semelhante.
Enquanto vou dedilhando as letras que aparecem na tela do celular, o rosto de Tia Inocência me surge de forma intensa e fulgurante. Enxergo um anjo nessa mulher que sintetiza o amor cristão em forma de entrega e gratidão a Deus e a Jesus, Seu Filho muito amado. Lamento (e muito) ter vivido longe dela: minhas atividades aeroportuárias por quase quatro décadas me separaram de um convívio tão fraterno, que tanto me elevava, honrava e aperfeiçoava.
Essa mulher guerreira distribui tanta bondade que poucas pessoas conseguem dimensionar suas inúmeras virtudes. Por isso, desejo que, ao fim de sua jornada daqui a algumas décadas — e rogo para que essa data incerta demore muito a chegar —, ela alcance um altar. Sua existência tem sido entregar luz em profusão; seu coração é magnânimo e germina o mais puro amor.
Ajoelho-me para oscular suas mãos e, nessa genuflexão, posso dizer que ela representa o próprio sacrário como mulher-anjo. Merece uma auréola... e há de ser colocada onde começa o céu!
Ontem à noite, ao visitá-la, como sempre recebi seu abraço de mãe. Ela me olhou bem nos olhos e disse:
— Você não me levou para a MOTOCARREATA! Eu sou patriota: votei no pai e vou votar no filho!